Já na faculdade esqueci desse trauma e achava um absurdo colegas chorando por causa de um animal. Escolhi cuidar do ser humano, na sua parte mais física, cursei Fisioterapia.
Mais de dez anos dedicados à Fisioterapia e um conhecimento prático dos dramas humanos, das dores físicas aumentadas pelas feridas emocionais. E quando não pensava mais em ter um cachorro, vem até mim o "Marley e Eu" através de uma amiga que tem dois Dachshunds tratados como gente.
Comecei a ler o livro e não consegui parar até terminá-lo. Aos prantos terminei de ler o livro, concluindo que apesar do Marley ser bipolar, na minha opinião, ele foi um cachorro muito amado e feliz trazendo mais felicidade ainda aos seus donos.
Bipolar?!? Sim, bipolar. Palavra que entrou no meu vocabulário após acompanhar meu quase marido a Psiquiatra e ela diagnosticá-lo como bipolar.
Entre lítios e lítios foi lançado o filme "Marley e Eu". Mesmo acreditando que o livro seria bem melhor, como acontece na maioria dos filmes, não resisti e levei o meu bipolar para ver a história do cachorro bipolar. Foram minutos intensos dentro do cinema entre risos e choros (até o filme é bipolar?) e no final do filme só conseguia pensar em cachorro, que eu queria um Marley na minha vida ou que faltou um Marley na minha vida e que um cachorro poderia nos ajudar nessa nova descoberta, a Bipolaridade..
Depois de pensar muito, mas muito mesmo, resolvi encarar o meu quase marido e propor a vinda de um cachorro. Palavras dele: "Você vai ter que cuidar de mim e dele, você consegue?"
Sem pensar muito, decidi que eu conseguiria cuidar dos dois e assim comecei a pesquisar sobre a melhor raça para se ter em casa: surgiram mais dúvidas que uma certeza: Border Collie, Golden Retriever, Labrador, Chow Chow, Boxer.... e no meio dessas dúvidas fomos a uma feira de filhotes, o lugar mais criticado, menos ideal para se adquirir um cachorro.
O primeiro cachorro que vi estava em cima de uma gaiola pouquíssimo preocupado com o que estava acontecendo ao seu redor, totalmente a vontade, "largado" tirando o melhor dos sonos. Comentei com o meu quase marido do quanto aquele cachorro estava a vontade mas nem chegamos perto dele. Passamos por um Lhasa Apso rejeitado, Chow Chow ciumento, Labrador Preto hiperativo, Pastor Alemão destruidor. De transtornado bastava o meu quase marido. Voltamos para aquela primeira gaiola e aquele filhotinho pretinho ainda estava lá, dormindo um sono de bebê. O meu quase marido olhor pra mim e disse:"Eu quero esse cachorro, esse cachorro é meu". Suei frio pois aquele Pastor Alemão não estava nos nossos planos iniciais mas ele falou tão decidido que não pensei duas vezes, era ele o nosso cachorro.
Depois de tudo acertado, peguei o filhotinho no colo e ele foi batizado de Bono, meu ídolo, boa índole, de voz maravilhosa e sempre vestido de preto.
E assim o Bono chegou na nossa casa, e assim o Bono nos escolheu, assim começou a nossa história com o Bono e a cada dia ele tem transformado nossas vidas em dias diferentes, tem nos ensinado sobre amor incondicional, tem nos transformado em pessoas mais amáveis, compreensivas, tolerantes. Só quem tem um cachorro sabe do que estou falando e só agora eu sei o que é ter um cachorro: é simplesmente TUDO DE BOM!